o que o tempo apagou.
E aí reconheci, em menos de três segundos, os cabelos loiros caindo pela nuca, aqueles que vinham encontrar a gola da camisa azul que já era sua naquela época. Pensei em sair dali assim que te avistei, mas você se virou como se percebesse a minha presença e tal qual um velho amigo, sorriu... atenuando o verde escuro dos olhos que eu dia eu conheci tão bem.
Você não estava tão alto, nem usava mais a barba clara que iluminava todo seu rosto. Não pairava mais sobre todos os homens, como o ser independente, inatingível e sublime que costumava caminhar ao meu lado. Você não estava mais sozinho e talvez por isso tenha me deparado com um você mais humano.
Conversamos pouco, como sempre, nos entendemos muito, melhor que ninguém. O ar didático das suas palavras me fez sorrir por lembrar o quanto você me ensinou. Mas me mudou e me deixou sozinha. E o encontro, que durou não mais que três minutos, me fez rever por completo os três meses ao lado seu. Três minutos que selaram cada segundo da nossa história. Nós três ali. Meros conhecidos.
Porque ao lado dela, da outra, a sua figura era disforme, vazia.. tão comum. Mas talvez fosse assim também se você estivesse sozinho. Acho que a sua nova imagem só me atingiu de raspão: não me fez feliz por você ou triste por nós dois. Não fez nem de fato uma ferida, no máximo um machucado leve que logo vai cicatrizar.
Porque ontem eu tive certeza que o meu amor já não era mais seu.
E eu pude enfim dizer adeus ao que um dia me fez feliz.
